terça-feira, 22 de julho de 2008

Cômodo

Como do que resta dos outros
Me aproveito da carne que cobre o ouro
Como do feto do mal incerto
E improviso mordidas em tom discreto
Como do esperto a sua astúcia
Sem perceber que não tenho mais quem eu era

Porque você me assiste assim?
Tão remota é sua atitude chinfrim
Porque você me assiste assim?
Tão monótona é sua vida sem fim
Porque você não me arranha mais a pele?
Tão fraco ficou o desejo que nos fere

Cômodo como o dragão de Komodo
Eu sigo em frente sem jogar os dados
Cômodo como o dragão de Komodo
É mais fácil rastejar do que ser tombado

Como do que resta da arte de copiar
Me copio do que os outros sentem no ar
Como do forte seu braço de ferro
Eu vou sentar e esperar a sorte dos velhos

Porque você não briga mais comigo?
Tão sem graça ficou a sala de visitas
Porque você me assiste assim?
Sem me perguntar se o som é ruim

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