terça-feira, 25 de novembro de 2008

Coreto dos lamentos

A cada pôr do sol a cidade se enfurece
A cada anoitecer a praça enlouquece
Garotos se drogando no monumento
Parecem pombos buscando alimento
A banda não toca mais canções felizes
E o cheiro de pipoca é insuportável
No jardim as flores murcham
E a grama pede mais respeito

Ao lado do coreto dos lamentos
Choro pelo amor perdido
Ao lado do coreto dos lamentos
Grito pela volta de poesia

Nas serestas de domingo havia famílias a se encontrar
Nas rodas de baralho tinha sempre um assunto pra comentar
E hoje eu fico a assistir a praça com suas luzes apagadas
Cheia de perdedores
Cheia de miseráveis
Sozinha ficou a esperança a contemplar a fonte luminosa
Triste ficou a ilusão comendo churros num canto qualquer

Ao lado do coreto dos lamentos
Vejo velhos se matando de tédio
Ao lado do coreto dos lamentos
Grito pela volta de poesia

Pobres são os que sentem inveja
Daqueles que habitam o porão do coreto da alegria

Lá todos cantam, dançam e acreditam na felicidade que comeu pipoca, cantou e distribuiu novos corações pra nunca mais morrer

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